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Sonhos Urbanos

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Precisa-se de mudança - 2ª Parte

por Jorge, em 14.06.04

Todos nós na nossa vida nos deparamos com as partes doentes do Sistema (pode ser no emprego: o patrão que está a promover uma atitude menos ética, ou quando fazemos algo que nos vai beneficiar mas prejudicar um número significativo de gente, falar mal de uma colega de trabalho apenas para ter a atenção de alguém ou simplesmente para prejudicar). Ora bem, podemos alimentar esta parte doente ou tratá-la, fazendo aquilo que achamos mais correcto.


Vou passar agora para a minha experiência pessoal. A partir dos 15 anos é que comecei a olhar mais à minha volta para tentar perceber o que me fazia sentir um pouco deslocado. Das coisas que me fizeram mais confusão foi a falta de dignidade e de honestidade que comecei a reparar em muitas das pessoas que me rodeavam, principalmente na escola (colegas e professores). O pior é que quando desabafava com alguém ouvia “o mundo é assim”, “não vale a pena fazer nada, as coisas são como são”, “deixa andar”, se vocês soubessem como esta acomodação das pessoas me incomodava (ainda o faz).


Com o passar do tempo a situação foi-se agravando, porque muita dessa falta de honestidade e de dignidade passou a ser “justificada” por factores económicos e distorções da teoria de Darwin aplicadas ao modelo social. Passei a contactar com pessoas que no plano profissional utilizavam desculpas para não desempenharem as suas funções de forma adequada, ou que usavam o seu poder para decidir mesquinhamente sobre a vida de outros. Uma coisa sempre foi clara no meu comportamento, nunca me aliei a estes indivíduos, nem apoiei as suas acções e sempre lhes fiz frente. Mesmo quando me disseram “não vale a pena, não consegues fazer nada”, fiz e não me arrependo… também garanto que teve sempre algum efeito (nem sempre o ideal, mas ao menos essa parte doente do sistema não foi alimentada por mim).


Passemos ao plano político do nosso país facilmente notamos o clima de fantochada. Quem governa o país são as grandes empresas e não o Governo; não há transparência na gestão dos recursos do nosso país; as medidas de intervenção política são jogos de ilusão onde raramente há benefício para a maioria dos habitantes do país; os Fundos Europeus são esbanjados e as apostas no desenvolvimento do nosso país são tão sólidas como o vento.


Admito que não podemos individualmente alterar a influência do modelo económico na estrutura social de um dia para o outro, ou resolver todas as questões de fragilidade social apenas com uma palavra. Mas podemos reflectir sobre se esse dito modelo económico está a contribuir para a construção de um mundo melhor, e depois decidir se as nossas acções individuais devem ser regidas por ele. Também podemos ver que em todos os momentos da nossa vida, estamos perante um momento de fazer escolhas… basta optar, temos esse poder não abdiquemos dele.


É tudo uma questão de decisão, se eu achar que o melhor é viver sem levantar pó e não melhorar nada do que está ao meu redor, então, como agente passivo e condescendente, vivo sem deixar qualquer marca positiva no mundo e faço apenas aquilo que os outros me derem espaço para fazer (e nesta situação como me poderei queixar).


De certeza que podemos fazer actividades no sentido de optimizar a vida em sociedade e garantir a qualidade de vida na mesma. Vamos utilizar os nossos neurónios em conjunto! Sei que somos vários a querer o mesmo, para mudanças profundas e visíveis podemos então agir em uníssono.


Não posso terminar este tema sem recomendar a leitura de um post, escrito por um amigo meu (o Rui). Deixo-vos aqui o link do blog, procurem o post de dia 10/05/2004 (cujo título é “Pequena reflexão...”).


No fundo a ideia base destes dois posts foi: através de uma mudança de comportamento individual é possível influenciar o Sistema. Em vez de dizerem constantemente que a culpa é do Sistema, pensem que fazem parte dele e são também responsáveis pela forma como este se apresenta.


Ainda ficou tanto por dizer sobre este tema, mas outros posts surgirão, no seu devido tempo. Obrigado pela atenção. Abraço. Jorge

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