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Sonhos Urbanos

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(RE)ENCONTRO ... (republicação)

por Jorge, em 30.06.05
Contemplo a fachada do hotel durante um longo momento, fluindo entre o desejo de entrar e abandonar o local para sempre. Sempre fui uma mulher indecisa! Finalmente dou um passo em frente e decido entrar.

São onze horas da noite. Combinaste no quarto do costume às onze e meia. “No quarto do costume” é uma expressão que quase me dá vontade de rir, atendendo que não nos vemos para mais de quinze anos. Telefonaste à dois dias atrás com uma voz de nítida urgência e não tive como recusar este encontro.

Interrogo-me o que quererás de mim?

O hotel parece deserto, não está ninguém na recepção. Toco à campainha e aguardo. Finalmente um homem chega. O mesmo homem de há quinze anos atrás só que mais decadente. Não parece reconhecer-me. Também devo ter envelhecido! Peço, tal como fiz inúmeras vezes no passado, a chave do quarto número sete. Diz que estou com sorte porque o quarto que pretendo está livre. (Não digo mas penso que quarto estará ocupado naquela espelunca sem nome quase no fim do mundo). Finjo que não reparo nos olhos esfomeados que lança na direcção do meu peito, tiro-lhe a chave da mão sem uma palavra e subo as escadas.

Percorro o corredor inteiro, os saltos dos meus sapatos a marcarem o compasso, até me encontrar diante da porta. Estanco diante dela e por instantes quase me perco em memórias. Ficávamos sempre no quarto número sete! Acho que éramos os dois supersticiosos: sempre quisemos para noites sem nome o número da perfeição e da totalidade.

Finalmente coloco a chave à porta e giro-a. A porta abre-se e eu entro de encontro ao futuro ou de volta ao meu passado, nem sei...


Texto: Raposa

nota (Jorge): Amanhã será colocada a segunda parte deste post por isso achei melhor voltar a publicá-lo.

Quando me abandonas…

por Jorge, em 29.06.05
Se os teus olhos fogem dos meus, o meu chão estremece.
Do meu sorriso fica uma pálida cópia, da minha paixão surge uma sombra.





A segurança abandona a minha casa e aloja-se em frente à minha janela.
Procuro-a todos os dias e ali a vejo. Parada a acenar-me. Sinto-me como se essa segurança fosse o gatinho que subiu para a árvore e não quer descer…
Como as coisas não podem continuar desta forma, decido mexer-me e trazer a segurança de novo para casa…


… E aqui estou com ela, até à próxima vez em que ela fuja de novo…


Jorge

Estado de Alma

por Jorge, em 28.06.05
Abro bem os braços para me deixar cair na relva, fico assim sem me interessar por questões cronológicas. Perco-me a olhar para o céu e a sorrir sem saber porquê.

Jorge

“Sonho adentro”

por Jorge, em 28.06.05
"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo."

Tudo o que não conseguires fazer nos teus dias remete para os teus sonhos, sejam eles acordados ou a dormir. Não te negues a uma existência que te faça sentir vivo… O sonhador é todo o ser que é capaz de criar diferentes realidades e de procurar essas realidades em cada espaço da realidade em que vive (procurando ligá-las).

"Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:"

A montanha mais difícil de escalar ficará reduzida a um monte de areia que pode ser esmagado com apenas um dos teus pés. O beijo mais difícil de roubar altera-se para o início do teu grande Amor… O tempo que em tempos escorria sem parar agora é um companheiro de viagem, juntos caminham para a hora marcada…







"El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:"

O amor com que te entregas ao mundo torna-se uma panaceia universal, preenche todo o vazio… As tuas mãos fazem arte em todos os pequenos movimentos ao longo de um dia… E por tempo indeterminado todas as pessoas se tocam e deixam de ser indiferentes umas às outras…


"Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos. "

De onde estou vejo tudo, que sempre foi o que desejei... Aqui consigo ser quem sempre desejei ser... um Sonhador ... mas o de outro tipo, aquele que cuida de sonhos...

"Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."

E assim as lendas do universo falarão de uma rapariga ou de um rapazito que mudou toda uma vivência, que contagiou o universo com o seu mundo de sonhos… Mesmo que no dia a seguir tenhas que acordar Às 07h para ir para um trabalho que não te faça feliz, ou que o teu coração sofra por uma mesquinhice, nunca deixarás de ter sonhado alto e podes sempre voltar ao sonho porque ele faz parte de ti.

E quando encontrares a tua hora marcada serás de novo reunido aos teus sonhos.

Texto: Jorge + Poema “Mar Adentro”
Imagem: Filme “Mar Adentro

Correcção do post anterior

por Jorge, em 27.06.05
Parece que a cabala conjunta da Sra Idosa e da Besta conseguiu os seus frutos... fomos retirados dos destaques do Sapo... Bem estivemos lá durante três dias nada mau, afinal só alguns blogs é que podem ficar lá mais de um mês (para depois voltarem de novo porque foram uns bufos perante o batráquio... até jazz!). :)

Jorge

Estar nos destaques do Sapo… qual a sensação?

por Jorge, em 27.06.05
Entrevistador: Como reagiu ao ser destacado pelo Sapo?

Jorge: Pensei que fosse engano… a primeira ideia foi que me tivessem confundido com o Pacheco Pereira (temos quase a mesma taxa de actualização no blog e como podem ver pela foto somos parecidos). Quando percebi que era verdade telefonei à Raposa e avisei que afinal já não íamos terminar com o blog.

Entrevistador: Acabar com o blog?!?!? Mas porquê?!?! E os 30 visitantes diários que vocês têm?

Jorge: São familiares e amigos que nos visitam algumas vezes por dia.





Entrevistador: Logo vi, quem aguentaria esta chacha! Por vezes até lhe chamam um blog de meninas (risos do entrevistador) Porque se chama Sonhos Urbanos? O nome parece um pouco idiota…

Jorge: Você chama-se Entrevistador e chama idiota ao nome do Sonhos Urbanos? Como queria que este blog se chamava, há por aí um na blogoesfera que se chama Blog da Sra Idosa… o que chama a esse?

Entrevistador: Hei!!! Aqui quem faz as perguntas sou eu. E gostaria que não falasse do blog dessa senhora que lidera o movimento moral português. A sua boca não tem a pureza para efectuar tal façanha… Goze antes com o Jam Session, sei que também escreve lá e aquilo é uma boa…

Jorge: Espere lá! Você não é o filho dela? O Carlos Alberto…

(Entrevistador desata a fugir deixando para trás uma terrível ameaça: Voltaremos a encontrarmo-nos, Sr. Jorge)

Nota: agradeço todos os comentários que tenho recebido no blog e deixo aqui as minhas desculpas por não responder individualmente a cada um deles. A justificação é que tenho andado a terminar uns trabalhos. Em breve espero poder responder a cada comentário (mesmo assim, garanto que leio todos com muita atenção e gosto). Uma vez mais, muito obrigado pelo apoio!

texto:Jorge
Foto: Wolfie

Como reconhecer um herói????

por Jorge, em 26.06.05
Em um dado momento sabíamos reconhecê-lo como o tipo que usava uma capa, ou as cuecas fora do uniforme, ou o que tinha o carro escanifobético, ou que namorava com a miúda mais gira, ou o que vencia sempre.





A vida era muito mais simples.


Agora temos momentos em que não sabemos em quem podemos contar, exijo sinais óbvios de má formação. Gostaria de aqui pedir para que a próxima pessoa que me quiser enfiar uma faca nas costas, use um letreiro a dizer “portador de faca, espero colocá-la nas tuas costas assim que puder. Sorriso amarelo sintético incluído no utilizador do letreiro”.


Texto: Jorge
Foto: Marvel Comics, New Avengers

Olhar

por Jorge, em 25.06.05
“Quando atingires a minha idade terás perdido quase por completo a vista. Verás a cor amarela e sombras e luzes. Não te preocupes. A cegueira gradual não é coisa trágica. É como um lento entardecer de Verão”

Jorge Luís Borges





Deixo os meus olhos correrem à sua vontade, sem esforço de focar. Concebo filmes completos com as imagens que guardo na minha memória visual. Um pouco como contar histórias com as nuvens brancas no céu azul.


(Fico com a sensação que a minha escrita fica diminuída perante uma citação de Borges, mesmo assim arrisco a colocar as minhas palavras… um pouco com medo, já que escrever faz parte do meu sonho e é tão arriscado colocar em risco sonhos… talvez por isso muitos não arrisquem e tranquem os seus sonhos a sete chaves)


Um segredo (que fique entre nós): Tenho medo de arriscar mas não gostaria que eles ficassem trancados para todo o sempre…


Texto: Jorge Amorim (com um toque da Raposa)
Foto: Jorge Correia (o meu Tio Jorge)

(RE)ENCONTRO

por Jorge, em 24.06.05
Contemplo a fachada do hotel durante um longo momento, fluindo entre o desejo de entrar e abandonar o local para sempre. Sempre fui uma mulher indecisa! Finalmente dou um passo em frente e decido entrar.

São onze horas da noite. Combinaste no quarto do costume às onze e meia. “No quarto do costume” é uma expressão que quase me dá vontade de rir, atendendo que não nos vemos para mais de quinze anos. Telefonaste à dois dias atrás com uma voz de nítida urgência e não tive como recusar este encontro.

Interrogo-me o que quererás de mim?

O hotel parece deserto, não está ninguém na recepção. Toco à campainha e aguardo. Finalmente um homem chega. O mesmo homem de há quinze anos atrás só que mais decadente. Não parece reconhecer-me. Também devo ter envelhecido! Peço, tal como fiz inúmeras vezes no passado, a chave do quarto número sete. Diz que estou com sorte porque o quarto que pretendo está livre. (Não digo mas penso que quarto estará ocupado naquela espelunca sem nome quase no fim do mundo). Finjo que não reparo nos olhos esfomeados que lança na direcção do meu peito, tiro-lhe a chave da mão sem uma palavra e subo as escadas.

Percorro o corredor inteiro, os saltos dos meus sapatos a marcarem o compasso, até me encontrar diante da porta. Estanco diante dela e por instantes quase me perco em memórias. Ficávamos sempre no quarto número sete! Acho que éramos os dois supersticiosos: sempre quisemos para noites sem nome o número da perfeição e da totalidade.

Finalmente coloco a chave à porta e giro-a. A porta abre-se e eu entro de encontro ao futuro ou de volta ao meu passado, nem sei...


Texto: Raposa

WALKING ON THE MILKY WAY (dedicado à doce Raposa)

por Jorge, em 21.06.05
”When I was only seventeen
My head was full of brilliant dreams
My heart would call and I would gladly go…”

Gostava que as minhas teclas te escrevessem as palavras mais encorajadoras e poéticas, que de alguma forma levassem até ti um pouco de magia para transformar o teu momento. Gostava de te oferecer uma estrela como prenda por este dia, mas ainda não consegui apanhar nenhuma das que caíram na terra (e não sei se elas gostariam de ser apanhadas depois da queda).





”At twenty one the world was mine
And I was yours and you’re divine
And nothing else would matter to us so…”

Ficam para trás cinco anos de uma vivência que nunca tinha conhecido, cinco anos em que tudo mudou… Momentos bons e maus (de outra forma não teriam sido tão reais) que ficarão para sempre na minha memória enquanto eu viver esta existência mortal.

No caminho que se apresenta bem aos nossos pés temos uma infinidade de possibilidades, múltiplas existências que podemos criar da forma que nos parecer melhor. Que passos iremos dar juntos e separados? Que criações traremos a este mundo? Que cores usaremos para pintar a realidade?

”I don’t believe that anything will ever be enough...”

Aqui te deixo um beijo de raríssima alquimia e um abraço especial, porque não encontrei tudo aquilo que te gostava de oferecer.

Texto: Jorge e OMD
Foto: Nasa

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