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Sonhos Urbanos

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Notícias do mundo dos Comics (27/02/2007)

por Jorge, em 27.02.06
Para os fãs de comics que estão desse lado do monitor, deixo alguns tópicos noticiosos do mundo dos comics, neste caso da Marvel Comics

a) John Romita Jr. Vai ser o desenhista do próximo projecto de Neil Gaiman, "Eternals" (agendado para Junho de 2006). São duas pessoas que nunca pensei ver a trabalharem em conjunto, gosto dos trabalhos que costumam apresentar, desconheço a série original de "eternals" mas aguardo com muita expectativa.

b) Brian Michael Bendis avançou com o teaser que após a série "Civil War" o título mensal "New Avengers" será o mais alterado. Esta alteração será sentida na referida série, sendo o primeiro conjunto de histórias debaixo do título "New Avengers: Disassembled". Talvez as histórias passem a ser boas (esperança é a última a morrer)!

c) Vai haver uma nova saga dos clones no universo do Homem-Aranha. Suponho que isto seja meio bombástico, relaxem que isto vai passar-se no universo ultimate. Ultimate Clone Saga” será editada em "Ultimate Spider-Man" #97 -#104. Tendo em conta que é o Bendis que a vai escrever o melhor é esperarmos que estejam todas publicadas para começarmos a leitura (o ritmo a que ele conta histórias já me está a aborrecer). Aguardo com curiosidade, mas com pouca expectativa. E, honestamente, duvido que seja melhor que a original (os fãs costumam indicar que foi das piores coisas que aconteceu no universo do homem-aranha, mas eu acho que houve coisas muito piores... Maximum Carnage, um exemplo).

Fonte: http://newsarama.com/
Texto: Jorge
(este post insere-se num pré-teste de um projecto em calha... Aguardem! Já agora, os leitores deste blog, que não são fãs de comics, podem ficar descansados que este blog não vai tornar-se temático... Nem abandonar, por completo, a sua linha editorial)

Estudo, manjar d'alma

por Jorge, em 22.02.06
"Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto, queiras só metade."

Miguel Torga, Diário XIII

Era em Setembro

por Jorge, em 21.02.06
Todos os meses de Setembro são sinal de renascimento, apesar de esta ideia ser vulgarmente associada à Primavera. Este era o mês que marcava a início do ano lectivo.
As intermináveis férias do Verão chegavam ao fim, havia livros novos, cadernos novos, roupa nova e a promessa de novas aventuras.

Eu realmente adorava ir às aulas antes de entrar no ensino secundário, apesar de voltar ao meu dia-a-dia a evitar ser assaltado. Assim que via aquele grupo de amigos lá ia a correr ter com eles, para trocarmos as informações recolhidas nos meses de ócio. E a cada ano que passava aguardava sempre a chegada das minhas colegas, depois daqueles anos em que rapazes tinham que jurar ódio às raparigas (até ao 5º ano, mais ou menos) seguiram-se os anos em que já queríamos a atenção delas e que reparávamos que elas se tornavam, a cada Setembro, mais atraentes aos nossos olhos.





Agora, que me coloco a alguma distância, a minha paixão pelas aulas também estava relacionada com o facto de adorar conviver com os meus colegas e amigos. Sonhava em dar aulas e simultaneamente percorrer o mundo a viver grandes aventuras. O Secundário foi a altura em que decidi abandonar os meus sonhos e, por uns tempos, andei meio perdido.

A fase final da minha adolescência 17/19 anos foi muito pouco sonhada, deixei-me morrer lentamente. Com apoio e esforço lá voltei a caminhar nos meus sonhos, mas não peguei nos antigos, passei a sonhar de raiz.

Curiosamente, foi em Setembro, quando já tinha 20 anos que os meus sonhos voltaram a ser as minhas prioridades e as minhas orientações humanistas vieram ao de cima. Volto a relembrar alguns alquimistas apontam a Primavera como data para iniciar o processo de transmutação, para mim tem sido sempre Setembro e até tenho uma teoria sobre o porquê dessa data (mas fica só para mim).

Texto: Jorge
Foto retirada de http://www.sculptor1.com

O (último) Reencontro

por Jorge, em 20.02.06
Aceitei ir a uma festa para não ser sempre visto como um bicho-do-mato. Perdi-me num labirinto de pessoas com copos na mão, encantei-me com as visões que tive de pessoas simpáticas e vistosas. Sorri de forma envergonhada ao cruzar-me com alguns olhares, obviamente estava a sentir-me como um peixe fora de água. Aquele salão magnífico, as pessoas que não conhecia e a bebida que já tinha ingerido, tornaram os meus pensamentos esvoaçantes.

Dei por mim a pensar naquela que me aprisionou o meu coração nas teias do amor. Já não a via há séculos, literalmente. Estes pensamentos foram interrompidos por uma imagem que me pareceu irreal

Precisamente no lado oposto da sala.

A distância não era fácil de percorrer sem dar muito nas vistas. Reconheço aquela pele pálida e os seus olhos doces em qualquer realidade paralela ou plano existencial. Sorriu-me como uma menina simpática e os seus olhos brilharam de entusiasmo. Um reencontro muito desejado, depois destes séculos de afastamento.

O nome dela é Morte, e é irmã do meu amigo Sonho. Sim, eu sei que ela é tão famosa como temida. Quem a teme é porque não a conhece intimamente, entre nós sabemos que o Sonho é bem mais assustador apesar de entrarmos livremente no seu reino, noite após noite. Esta reflexão é do meu amigo Neil, não minha.





Tenho seguido um caminho bem diferente dela, apesar de termos muito em comum. Ambos somos completamente apaixonados pela vida, temos sentido de humor e gostamos de conversar. Pessoalmente só a vi uma vez, mas nunca deixei de pensar nela, é uma presença inesquecível.

Estivemos juntos no casamento de Orfeus, aquilo não correu muito bem. Aliás lembro-me que, em parte, ela estragou o ambiente da festa. Com muita pena minha, não a tornei a ver até hoje. Sou daquele tipo de aventureiros que vive afastado da morte o tempo que consegue, apesar de ter uma paixoneta secreta (das grandes) por ela.

Se a minha avó descobre que me apaixonei pela Morte dirá, de certeza: “Só te apaixonas pelas mulheres erradas, uma delas será a causa do teu fim”. A minha avó sempre foi uma mulher astuta.

Vivi muitos séculos, hoje a minha vida termina; ela está aqui por minha causa; a minha hora chegou.

Com harmoniosos movimentos aproxima-se de mim e sussurra:
- A partir de hoje estaremos juntos para sempre. Quando te sentires preparado dá-me a tua mão.
Estende-me a sua bela mão e entrego-me a ela sem qualquer resistência; sempre tive um fascínio por mulheres interessantes. Damos as mãos e seguimos, juntos para a eternidade.

Não há espaço para tristezas, é aqui que me reencontro com o meu Amor.

Texto: Jorge

Ilustração: Joe Pekar

Domingo Sangrento

por Jorge, em 19.02.06
Acordar ao som de martelada, estranhamente apelidada de música, é uma experiência que acorda o nosso lado mais selvagem. Foi este evento que me fez tomar uma decisão: assassinar cruelmente o meu vizinho. O puto é mais novo que eu, deve andar numa fase de “sou um rebelde que podia viver nos Morangos com Açúcar”, ronda o excesso de antipatia e ouve música má em altos berros (a qualquer hora).

Dirigi-me ao WC, lavei a cara, olhei para o espelho e sorri sadicamente.
Elegi o material necessário para levar a cabo o frio homicídio, na verdade, inspirei-me no estojo de trabalho do Professor Egas Moniz.
Vesti uma roupa apropriada, em tons escuros para não se notar as nódoas de sangue e lá saí de casa para lhe fazer a simpática visita.



Bati à porta dele, veio a mãe à porta com um sorriso, perguntou como estava a minha família, a namorada, o cão, o gato… Enfim, respondi que estava tudo bem (se bem que “tudo bem” não existe, como diria um amigo meu). Perguntei-lhe pelo seu “doce” rebento ao que a senhora me disse:
- Está a ver a transladação da Irmã Lúcia na televisão, ele emociona-se muito com estas coisas.

Só então percebi o horror, aquilo não era um adolescente… era na verdade uma perigosa criatura, vinda de um qualquer canto escondido de uma galáxia misteriosa (com fortes probabilidades em estar perto de um comedor-de-carne-humana cósmico).

Sem mais conversa, empurrei a senhora e avancei casa adentro:
- Afaste-se, esta criatura não é o seu filho. Não se preocupe que eu trato do mostrengo que cá reside.

Lá estava ele na sala, a sua pele translúcida espelhava o directo apresentado na televisão. Viu e sibilou umas palavras viscosas (acho que foi “Olá, Jorge! Estás bom?”, agora também não interessa).

Peguei na serra n.º 3 e fiz aquilo que qualquer bom cidadão teria feito, o som de fundo eram os gritos histéricos da minha vizinha, a cor dominante era o sangue esverdeado que jorrou nos 15 cortes profundos que realizei.

A polícia invadiu a casa, uma hora depois, mas compreendeu a situação e agradeceu-me profundamente.Revistaram o quarto do jovem e descobriram os planos de conquista mundial, escritos numas quaisquer folhas de papel higiénico.

Debaixo da cama estava o verdadeiro adolescente, viciado em “Morangos com Açúcar” (uma geração amaldiçoada pela falta de bom gosto). Desamarrei-o e ele com maus modos chamou-me de “maricas”, aquele sim era o rapaz que eu aprendera a odiar devido à sua berrante música. Dei-lhe um abraço, seguido de um pontapé nos tomates e um aviso:
- A partir de hoje ouves a música baixinha ou volto para te apresentar a serra n.º 4!

A mãe agradeceu-me e colocou 10 € na minha mão, “para beberes um café”.

Voltei a casa e actualizei os meus blogs.

E, pronto, foi mais um Domingo na vida de um blogger (e podcaster).

Texto: Jorge

Ilustração: Joe Pekar

Venenoso

por Jorge, em 18.02.06
Olha-me estes dentinhos tão perfeitos e acredita que esta língua tem muito que se lhe diga. Gosto de andar pelas ruas quando estás no envolvido no teu soninho, enquanto sonhas com muitas cores, as minhas trevas penetram no teu coração e ficas como uma noite sem luar.



Ao longe uma mulher berra, deve ter-lhe acontecido algo horrível. Porque não vais ver como ela está? Vai lá, que deixei uma surpresa só para os teus olhos.

Ah, vejo que te choquei. Sei que mesmo assim vais seguir em frente. Mutilado na alma, passo a passo em direcção ao um final angustiante.
Adoro ser o teu lado negro.

Texto: Jorge
Ilustração:Joe Pekar

Assim não pode ser...

por Jorge, em 13.02.06
Eu bem queria ter uma vida pacata, mas há sempre quem não deixe. Primeiro foi aquela besta (aka monte de merda) com dor-de-cotevelo que me perseguia de carro branco, depois o macaco gigante que escalou o empire state building, depois o homem-aranha ficou sem o olho esquerdo, morreu e ressuscitou... E AGORA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE:



Assim não sei onde as coisas vão parar, mas sei onde quero estar no dia 18 de Fevereiro. :)

Jorge
(fotografia plagiada de forma nojenta do site oficial do organizador do evento, mais tarde darei os dados para me punirem por esta vil acção)

O sonho da libelinha

por Jorge, em 12.02.06
Olhamos a vida, como se através da lenta de uma câmara de filmar, o que nos dá a oportunidade de ir experimentando diversos planos e perspectivas. Parte significativa da vida é passada a experimentar as diferentes formas de ver (e nem todas são com os olhos), saber a que se adapta mais ao nosso processo de nos tornarmos humanos. Uma outra porção da vida parece ter a ver com o conhecer um pouco mais o que nos rodeia, e irmos cruzando o(s) nosso(s) olhar(es) com o que vamos descobrindo no mundo.



Estava aqui por casa, quando dei por mim a sonhar acordado. Nesse sonho, tal como uma libelinha, andava a esvoaçar pelo mundo. Achei uma forma muito curiosa de olhar para o que rodeia e de me libertar da actual estagnação dos meus dias. Quando voltei a concentrar-me no que estava a fazer, recordei que há muitos caminhos para explorar e que é um desperdício estar a gastar algo tão precioso como a vida em actividades/pensamentos/experiências repetitivas.

“He doesn’t realize that being different from the rest of the world is in itself mesiras nefesh.” By Rabbi Shwab

Os dias de casulo chegaram ao fim.
Como se questionaria o Merlin: seria um rapaz a sonhar com uma libelinha ou uma libelinha a sonhar com um rapaz?

A resposta é irrelevante para o caso.

Texto: Jorge

Foto: Jorge Correia (o meu tio)

E.R.

por Jorge, em 09.02.06
Perder algumas horas numa urgência hospitalar é um treino à nossa capacidade de sobrevivência. A nossa mente procura formas de se distrair, queremos algum sossego e ao mesmo tempo tentamos desencriptar o conteúdo das palavras disparadas pelo intercomunicador.

Se, o caro leitor, tem alguma dúvida quanto ao nome a dar a um futuro filho, ou a um animal de estimação, as urgências hospitalares são sempre um bom local para se descobrir nomes tão inovadores que nem os consigo escrever.

E, claro, há sempre bons momentos de humor, nem que seja esperar 5 horas (tal e qual como no centro de emprego).

Jorge

Estranhos destinos

por Jorge, em 08.02.06
“Dei-lhe a minha alma
E ela talvez por não a ter sentido
Deixou-a morrer.
E com ela tantas coisas se foram”
Heavenwood



Não sabíamos onde chegaríamos, hoje aqui estamos. Quem diria?
Massacrados por uma existência brutalizante, fria e anestesiada.
O fim é aqui, no local onde os sentimentos morrem.

Ilustração: Mian Ru
Texto: Jorge Amorim

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