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Sonhos Urbanos

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O Mago e o Jovem Artur

por Jorge, em 04.11.04

Para começar os meus posts no mês de Novembro, quero começar por partilhar um texto que já reli umas quantas vezes:


“Seria o último dia que passavam juntos. O jovem Artur ficou de pé ao lado da estrada que conduzia ao exterior da floresta. Olhando por cima do ombro, procurou a clareira de Merlin, mas já não a encontrou. Da noite para o dia nascera um espesso bosque que engolira a clareira e com ela a entrada para a gruta de cristal.


Artur ficou aflito, sabendo que a sua perda seria não só por si mas por todos os mortais.


- Não volto, pois não? - perguntou ele. Merlin, que estava ao seu lado, abanou a cabeça. - Não é preciso. A tua aprendizagem acabou.


“Duvido que alguma vez ela termine”, pensou Artur. Parecia que mesmo depois daqueles anos de aprendizagem, havia ainda mais coisas a perguntar ao seu mestre do que no dia em que começara.


- Quis dar-te um presente de despedida e não conseguia descobrir nada melhor que isto - disse o mago, lendo-lhe o pensamento. Apontou para a estrada onde estavam e que também tinha aparecido da noite para o dia. - As estradas são o sinal do mago. Ou já sabias isso? - Não. - Então lembra-te do que te vou dizer. Um mago é aquele que ensina através da ausência. Quando tu também te conseguires afastar-te, serás um mago.


Se bem que possas pensar que possuis uma parte do mundo, apenas caminhas nele. Em espírito és o pó da estrada, a inquietação ou vento. Vós mortais construis casas para vos proteger do mundo. Para um mago o lar é o momento e os momentos estão sempre em movimento... - ... na estrada do tempo - disse Artur terminando a frase. Já sabia de cor muito do que Merlin lhe tinha para ensinar. - Sim - concordou Merlin.


Ficaram ambos em silêncio.


O rapaz olhou para Merlin de soslaio para ver se ele estava triste ou, pelo menos, estupefacto com a sua separação. Nem uma coisa nem outra.


- Vejo que não acreditas muito em mim - disse Merlin - , mas o afastamento é na realidade a maior dádiva que te posso oferecer-te. - E com isto os pés do rapaz começaram a mover-se.


A cerca de cem metros de distância havia uma curva na estrada e cada passo que Artur dava na estrada parecia transformá-lo um pouco. Os anos que passara com Merlin começaram a diluir-se como um sonho e a sua curiosidade em relação ao mundo começava a aumentar.


Quando alcançou a curva da estrada, estava ansioso por ver o que o circundava. Toda a acção e o desejo de um mundo que nunca vira tornou-se algo de que tinha de fazer parte. Agora, os seus pés voavam com a ânsia de sair da floresta.


A própria imagem de Merlin começava a desaparecer da sua mente até ficar apenas uma voz longínqua que dizia: “Conduzi-te ao lugares secretos da tua alma. Agora é preciso que os encontres novamente, mas sozinho.”


Subitamente, aquela voz também desapareceu. O rapaz desapareceu na curva, deu um pontapé no pó e sorriu. Percebeu subitamente que, de cada vez que visse uma estrada, pensaria em Merlin.”


In "O Caminho do Mago", Deepak Chopra

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