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Sonhos Urbanos

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Para uma Raposa de olhos verdes...

por Jorge, em 09.03.04
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Foi por entre uma esverdeada e vistosa multidão de árvores que te vi (ficavas linda naquele Verde)... sim, a ti! Eras a raposa mais matreira que alguma vez tinha visto (e até hoje nunca tornei a ver uma tão matreira... :D), e os teus dentes eram afiados... capazes de manter à distância o maior dos predadores.


Sem pensar duas vezes quis correr para ti e abraçar-te (apostei na minha mente que eras macia), apesar de saber que pela tua natureza selvagem não tinha como segurar-te (e aqueles dentes afiados eram bem intimidadores). Então parei para pensar como te poderia demonstrar o meu afecto. Foi amor á primeira vista.


O tempo foi-se arrastando e todos os dias te via ao longe, os teus olhos verdes cruzavam-se comigo. Quando decidi que tinha mesmo que te abraçar, porque já não podia negar mais que estava apaixonado por ti minha raposa, já não estavas entre as árvores esverdeadas. Tinhas desaparecido do alcance da minha visão... como iriam agora ser os meus dias seem te ver? Será que estavas bem?


Perguntei às nuvens brancas como a neve, que pelo céu passeavam, e elas disseram-me que tu te tinhas apaixonado e que foste em busca do teu amor. A dor que senti, não pode ser colocada em palavras.


Voltei para casa com uma tristeza profunda, os meus passos eram os de um amor perdido, e sozinho entrei na minha floresta urbana sem qualquer intenção de sair. A minha prisão por eleição era o local onde dormia, fechei-me no quarto e pensei em esperar pela fria mão da morte, em vez disso fui chamado para jantar pela minha mãe.


Durante o jantar a minha mãe falou-me da nossa nova vizinha, que depois do jantar lá iria beber uma chávena de chá. Que aborrecido, nem podia ficar com a minha dor. Tocaram à campainha, arrastei-me até à porta, abri.... e eras Tu, minha raposa! :D Que felicidade vieste para a floresta urbana para estares junto de mim, também tu sonhavas comigo enquanto eu sonhava contigo. Demos o maior abraço que o Universo se recorda. E agora podemos ficar para sempre aqui a sonhar juntos aninhados um no outro... apesar de sabermos que "sempre" não é algo para mortais como nós, estaremos sempre aninhados. :D


Texto: Jorge Amorim

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