Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sonhos Urbanos

Powered by Cognitive Science

Bons Samaritanos? por Marco Silva

por Jorge, em 28.02.04

Caros leitores do Sonhos Urbanos, este post não é escrito por mim (Jorge). Aqueles que costumam ler O Mundo do Jójó sabem que por vezes o Marco tb escreve alguns posts. Quem é o Marco Silva? O Marco é um amigo meu, que além de ler os meus blogs tb participa com posts :D ... o post que se segue é o seu primeiro neste blog. O maior defeito do Marco é que gosta do Sr. Cubo de gelo... mas hoje vou esquecer esse pormenor. ;)  Aqui está o post dele:


Nesta quarta-feira (dia 25/3/2004) de tarde quando me dirigia para casa, depois de sair da estação do Cacém, pensei em apanhar o autocarro, mas decidi ir a pé (mesmo que o tempo estivesse a ameaçar chuva). A meio do caminho (da estação a minha casa demoro cerca de 15 minutos a pé), uma senhora (boa samaritana) chama-me com alguma aflição...pedia ajuda para levantar uma outra senhora (idosa) que tinha caido no passeio. Eu e a "boa samaritana" levantámos a idosa e verificámos que tinha algumas "escoriações" na cabeça e no joelho direito, o que sugeria uma pancada na cabeça. Não tinha sangue visivel, mas a pancada parecia ter sido forte.


Perguntei á idosa se sabia explicar o que tinha acontecido, mas ela não dizia nada coerente. Perguntei-lhe onde morava, pergunta á qual respondeu "Ali em cima". Eu a "boa samaritana" que ajudámos a idosa a levantar-se, decidimos telefonar para o 112 e começou outro calvário: O tempo de atendimento. Quando acabei de digitar "112" o tempo que demorei a ser atendido foi bastante curto é verdade, mas assim que disse que a situação necessitava de uma ambulância, o senhor do outro lado redirecionou-me para outra linha, onde esperei cerca de dois minutos até ser atendido (se fosse uma situação de vida ou de morte, não gostava de saber como seria).


Finalmente fui atendido, descrevi a situação e disse a morada. Eu a senhora (boa samaritana) esperámos pela ambulância. Entretanto começou a chover. Com os nossos guarda-chuvas, protegemos a idosa que estava sentada no passeio, ainda bastante desorientada. A ambulância nunca mais chegava. Já agora, deixem-me acrescentar que do quartel dos bombeiros, ao local onde nos encontrávamos, são cerca de 500 metros. No entanto esperámos qualquer coisa como 10 minutos entre o desligar do telemóvel e a ambulância chegar. Enfim...a ambulância chegou e tapou a rua, já que há vários carros estacionados na estrada, junto ao passeio. Os bombeiros que chegaram na ambulância, começaram por fazer, basicamente as mesmas perguntas que fiz : "Como se chama a senhora?", "Onde mora?", etc. Entretanto passavam várias pessoas que apenas "olhavam" para a situação, tal como "olharam" quando a senhora estava no chão. Mais uma vez...enfim!!


 E quando tudo, parecia estar resolvido, aparece um carro, no qual se encontrava uma "mulher", que não conseguia passar devido ao facto da ambulância tapar a passagem. E o que fez ela ? Sai do carro e diz isto : "Pode afastar a ambulância um pouco mais para a esquerda?" Apeteceu-me rir...e imaginei uma cena de desenhos animados que via quando era "puto", onde um piano caía em cima da "mulher".


Já não bastavam os "olhares" das pessoas á volta que não faziam nada, como ainda aparece esta "mulher" que diz esta barbaridade. E como ainda não disse isto...enfim!!! Os bombeiros decidiram levar a idosa na ambulância para um hospital (coincidência ou não, o filho da idosa, apareceu um pouco depois da ambulância ter chegado).


A "boa samaritana", perguntou aos bombeiros se era necessário alguma coisa de nós, agradeceu a minha ajuda e saiu do local. Eu esperei que a idosa fosse colocada na ambulância e também saí do local. Moral da história perguntam vocês ? Bem...se depois de lerem este post ainda não conseguiram decifrá-lo, acho que o facto de eu o ter escrito até perde o sentido. Palmas á "boa samaritana", que apenas queria ir buscar o filho a um colégio infantil perto do local do acidente e que se desviou do caminho, para ajudar a idosa em dificuldades. Só para concluir, é engraçado como as coisas acontecem, porque eu pensei seriamente em ir de autocarro (devido ao tempo instável), mas acabei por ir a pé...


P.S.: Perguntam-se porque escrevo "mulher" e não apenas mulher ? A resposta está no moral da história (que foi de facto, um caso da vida real).

Comentar:

CorretorMais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.