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Sonhos Urbanos

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Sentimento de Pertença

por Jorge, em 07.07.05
O sentimento de pertença a um grupo é algo de grande importância, julgo que só agora é que dou verdadeiro valor a isto. A postura de lobo solitário ficou algures no fim da minha adolescência, é no contacto com os outros que cresci mais.

Sentirmos que fazemos parte de um grupo de pessoas, onde cada membro olha pelos outros e estimula o desenvolvimento de cada um, é uma dádiva. E grupos com estas características foram-se desenvolvendo nos meus dia, em diferentes contextos, como a amizade ou trabalho.



Agora que terminei o estágio sei que vou sentir falta daquela equipa fantástica com que trabalhei ao longo de um ano, um dos objectivos deste texto foi deixar registado no blog esta mudança na minha vida… E acima de tudo agradecer a todos dessa mesma equipa pela experiência, companheirismo e aprendizagem que me proporcionaram.

Outro objectivo do post é lembrar a todos aqueles com quem partilho os meus dias que fazem toda a diferença nos meus dias e que conquistaram um lugar especial na minha vida. Fazemos parte de um grupo (ou vários grupos) especial, somos pessoas especiais e a vida é muito mais divertida de viver por a podermos partilhar com outras pessoas.

Jorge

shhhhh .... estão todos a dormir

por Jorge, em 06.07.05
Pela hora, imagino que os leitores do blog devem estar a descansar em confortáveis camas. Talvez mergulhados em sonhos que não vão aqui ser descritos, sonhos estes que talvez recordem amanhã quando acordarem.

Descansem! Não vos vou acordar... Prometo caminhar levemente e teclar sem perturbar o silêncio!

Quero só dizer que estou de volta ao blog que tem mais de mim e que espero continuar a receber as vossas visitas.

Abraço

Jorge

(Re)Encontro (Parte II)

por Jorge, em 01.07.05
Espero por ti durante meia hora. Estou inquieta com a ideia de te ver novamente. Tenho tempo de sobra para me arrepender. E arrependo-me. E mesmo assim não me decido a ir embora. Mato o tempo a olhar pela janela, estendida na cama e a atravessar o quarto sem destino. Até que finalmente são onze e meia e alguém bate à porta. Apresso-me a abrir porque sei que és tu do outro lado. Ficamos o que parece ser uma eternidade a olhar um para o outro sem pronunciar uma palavra. Então, tu quebras o silêncio e dizes que eu estou linda e que parece não ter passado um único dia. Eu lembro-te (com uma ponta de ressentimento) que passaram quinze anos. Tu finges que não ouves e prendes-me nos teus braços e eu aceito que não há cobranças e digo que tinha saudades dos teus abraços e de me sentir em casa. Finalmente fecho a porta e sento-me na cama para te ouvir. Tu sentas-te ao meu lado e seguras as minhas mãos entre as tuas...

Dizes-me que cometeste um grande erro, e que possivelmente o Universo vai pagar com esse engano. Talvez seja o fim de tudo como sempre o conhecemos! Não te ocorreu solucioná-lo porque há coisas que estão condenadas e temos inevitavelmente de deixar morrer. Tiveste que me telefonar porque nos últimos dias só pensavas nos meus olhos e em tê-los mais uma vez antes do fim...

[Sempre foste tão misterioso, com esse ar megalómano de homem que acredita ter substituído Deus... Como um pedaço de areia que inevitavelmente me escapa entre os dedos, por muito que me esforce para o agarrar... Claro que nunca podemos ficar juntos, há seres que se querem livres ou mortos, porque enclausurados nunca poderiam sobreviver... Eu deixei-te seguir o teu caminho porque acredito que abdicar também é um acto de amor...]

Quando desperto dos meus pensamentos estás inclinado para me beijar! Não penso sequer em repelir-te porque sei que, apesar de tudo, tu és o homem da minha vida, e o homem da minha vida não precisa de autorização para ter acesso a mim. Porque no princípio fomos um, o facto de me tocares é como estares a tocar-te a ti próprio...

E então beijamo-nos!... E perdemo-nos!... E encontramo-nos!... E quando voltamos de novo ao mundo percebemos que ele não parou de girar e que está tudo em chamas, tal como visionariamente tinhas previsto no início. E porque não nos ocorre fazer nada para impedir o inevitável, aceitamos os gritos de desespero e contemplamos, maravilhados, aquela imensidão de labaredas vermelhas que avançam vorazes sobre nós, transformando à sua passagem tudo em cinzas. Assim permanecemos, sem ousar um gesto, a observar tudo da janela de um quarto de hotel. Juntos num último momento de egoísmo, que grita que somos humanos, mesmo antes do fim...

Texto: Raposa

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